O mercado imobiliário em 2026: o papel crucial dos criadores de conteúdo na venda de imóveis
O setor imobiliário, tradicionalmente focado em relacionamentos e localização, está passando por uma transformação acelerada. No centro dessa mudança está uma nova figura: o criador de conteúdo. Essa habilidade deixou de ser um diferencial para se tornar um pré-requisito competitivo.
Fabio Duarte, CEO da Community Creators Academy, afirma que “conteúdo é o novo inglês”. Ele defende que a fluência em comunicação digital é essencial para se conectar com as pessoas e gerar negócios no mercado atual.
Essas ideias foram apresentadas na Convenção Loft/Portas, realizada em São Paulo. O evento destacou a ascensão da creator economy, que influencia diretamente o comportamento de compra e exige adaptação de todos os setores, incluindo o imobiliário. Conforme informação divulgada na Convenção Loft/Portas, temos cerca de 600 mil corretores no país, mas mais de 20 milhões de criadores de conteúdo, um mercado significativamente maior.
Conteúdo como novo idioma e a força da comunidade
Produzir conteúdo digital tornou-se a base para gerar confiança e construir audiências. A lógica da “comunidade maior que leads” reduz o custo de aquisição (CAC) e fideliza clientes. Essa abordagem contrasta com o funil tradicional, onde se investe em mídia paga para gerar leads, um método cada vez mais caro e menos eficiente.
Duarte explica que, em vez de investir primeiro em produto e depois em vendas, constrói-se uma comunidade através de conteúdo, gerando conexão e permitindo a venda quase direta. “Com comunidade, você reduz drasticamente o custo de aquisição e aumenta a confiança”, ressalta.
O imóvel como produto de mídia e a influência da Geração Z
A nova estratégia propõe tratar o imóvel não apenas como um ativo físico, mas como um produto de mídia. A criação de narrativas e storytelling, como o “apartamento dos sonhos”, pode agregar valor e justificar melhores preços. O imóvel se torna um “produto de mídia” que atrai e engaja.
A Geração Z, que já representa uma fatia importante de compradores e locatários, tem um comportamento de consumo diferente. Eles não esperam contato e preferem a instantaneidade. “Eles não entram mais em site, não esperam contato, não seguem etapas longas. Estão assistindo a um vídeo, clicam e já, em breve, vão querer agendar uma visita ou até comprar”, detalha Duarte.
IA, social commerce e a atenção como ativo escasso
O avanço da inteligência artificial (IA) acelera essa transformação, integrando busca, recomendação e transação. A otimização de conteúdo muda de SEO para GEO, focando em motores generativos. “Você não prepara mais seu site só para o Google, mas para a IA responder por você”, aponta Duarte.
O social commerce, modalidade de venda direta via vídeos e lives, começa a ganhar escala no Brasil, seguindo o modelo chinês. Dezenas de apartamentos já foram vendidos em segundos durante transmissões ao vivo para milhões de pessoas. A atenção, antes disputada por imóveis ou clientes, torna-se o ativo mais valioso. “A atenção é o novo petróleo”, conclui Duarte.
De opção a necessidade: o futuro do corretor de imóveis
Produzir conteúdo deixou de ser uma opção e tornou-se uma necessidade de mercado. A resistência inicial a novas tecnologias, como a criação de conteúdo, é um padrão histórico, mas a inevitabilidade se impõe. “Não é mais uma opção. É uma necessidade de mercado”, afirma Duarte.
O corretor tradicional dá lugar a um perfil híbrido: comunicador, influenciador e vendedor. Aqueles que não fizerem essa transição tendem a perder espaço. “Existem dois tipos de profissionais agora: os que produzem conteúdo e os que vão precisar produzir”, finaliza.





