
Coreia do Norte reescreve Constituição, apaga menção à unificação com Sul e se declara ‘Estado mais hostil’
Coreia do Norte remove unificação da Constituição e adota postura de confronto com o Sul Em uma reviravolta significativa nas relações intercoreanas, a Coreia do Norte removeu de sua Constituição todas as referências à unificação com a Coreia do Sul. Esta mudança, detalhada em um documento obtido pela agência de notícias AFP, sinaliza um endurecimento drástico da política de Pyongyang em relação a Seul. A nova versão da Carta Magna norte-coreana já não contempla o objetivo de “alcançar a unificação da pátria”, um marco histórico nas aspirações do país. A alteração constitucional foi apresentada em março e divulgada oficialmente por autoridades sul-coreanas em uma coletiva de imprensa do Ministério da Unificação. Essa decisão ocorre em um momento de crescente tensão, após o líder norte-coreano, Kim Jong-un, classificar a Coreia do Sul como o “Estado mais hostil” em um discurso recente. Acompanhe os desdobramentos desta nova fase de distanciamento e as implicações para a paz na Península Coreana. Nova Definição Territorial e Fortalecimento Nuclear A Constituição revisada da Coreia do Norte introduz uma nova definição territorial, estabelecendo claramente as fronteiras do país ao norte com a China e a Rússia, e ao sul com a Coreia do Sul, referida pelo seu nome oficial. O texto também reitera a posição de Pyongyang de que “não permite, de forma alguma, qualquer violação do seu território”. Em contrapartida, o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, que defende uma abordagem mais conciliadora, reiterou sua disposição para negociações sem pré-condições, expressando a esperança de que os dois países “façam germinar as flores da paz”. No entanto, até o momento, a Coreia do Norte não respondeu às propostas de diálogo, mantendo sua retórica de considerar o Sul um adversário. Paralelamente, Kim Jong-un reafirmou o compromisso de fortalecer o arsenal nuclear norte-coreano. Em abril, o país realizou quatro testes de mísseis, o maior número em um único mês nos últimos dois anos, violando resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Pyongyang contesta essas proibições, alegando que elas infringem seu direito soberano à autodefesa. Avanços Nucleares e Relações Internacionais O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, alertou em abril sobre os “muito sérios” avanços da Coreia do Norte em suas capacidades de produção de armas nucleares, incluindo a provável adição de uma nova instalação de enriquecimento de urânio. Essa declaração reforça as preocupações globais sobre o programa nuclear do país. No final de março, Kim Jong-un já havia declarado que o status de Pyongyang como Estado com armas nucleares era irreversível e que a expansão de sua “dissuasão nuclear de autodefesa” era crucial para a segurança nacional. Essa postura reflete a política de longa data do regime de priorizar o desenvolvimento militar. Em março, Kim foi proclamado reeleito líder supremo da Coreia do Norte, em um pleito que, segundo a propaganda oficial, refletiu “a vontade e o desejo unânimes de todo o povo coreano”. Kim está no poder desde 2011, sucedendo seu pai, e representa a terceira geração da dinastia comunista fundada por seu avô, Kim Il-sung,








