
Milei Propõe Fim das Primárias e “Ficha Limpa” na Argentina: Reforma Eleitoral Agita o Congresso
Milei Busca Revolucionar Sistema Eleitoral Argentino com Reforma Ambiciosa O governo do presidente da Argentina, Javier Milei, apresentou ao Congresso um projeto de reforma eleitoral com duas propostas centrais: o fim das eleições primárias obrigatórias (Paso) e a implementação de um sistema similar à “Ficha Limpa” brasileira, impedindo a candidatura de pessoas condenadas por crimes dolosos. A iniciativa visa, segundo a Casa Rosada, tornar a política mais barata, transparente e representativa. A proposta, enviada ao Senado nesta quarta-feira (22), faz parte de uma promessa de campanha de Milei de combater a chamada “casta política” argentina. O comunicado oficial do governo enfatiza que o sistema eleitoral atual é caro, opaco e incentiva o financiamento ilícito de campanhas, servindo como um mecanismo de autoproteção para os políticos. “Chegou a hora de devolver o poder ao povo argentino para que a política volte a servi-lo”, declarou a Presidência, reforçando o discurso de ruptura com o establishment. A reforma busca, portanto, reformular as regras do jogo político no país, alinhando-se à visão ultraliberal do presidente. A informação foi divulgada pelo governo argentino nesta quarta-feira. Fim das Paso: Um Objetivo Antigo de Milei Um dos pontos mais significativos da reforma é a eliminação das Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (Paso). Este mecanismo, criado durante o primeiro mandato de Cristina Kirchner e implementado em 2011, tem sido alvo de críticas por seu alto custo e pela percepção de que nem sempre cumpre seu objetivo de reduzir o número de candidaturas ou promover debates internos nas legendas. Esta não é a primeira tentativa de Milei de acabar com as Paso, sendo esta a quarta vez que o tema é levado ao Congresso. Nas tentativas anteriores, a falta de apoio político impediu a aprovação, levando apenas a uma suspensão temporária. O governo argumenta que as Paso são uma “experiência fracassada” que gera custos desnecessários para os contribuintes. A oposição e até mesmo alguns aliados de Milei expressam preocupações de que o fim das Paso possa beneficiar o governo, ao tentar neutralizar a oposição, que poderia apresentar múltiplos candidatos e dividir o eleitorado. A dinâmica política em torno desta medida é complexa, envolvendo negociações intensas. “Ficha Limpa” Argentina: O Caminho para a Decência Política Em contrapartida à eliminação das primárias, o projeto de reforma eleitoral introduz um mecanismo inspirado na “Ficha Limpa” brasileira. Este dispositivo visa impedir que pessoas condenadas por crime doloso concorram a cargos públicos eletivos nacionais ou sejam nomeadas para posições partidárias. A proposta é uma antiga demanda do partido Proposta Republicana, fundado por Mauricio Macri. A Casa Rosada defende a medida como um “mínimo de decência que se espera de uma democracia”. A justificativa é que, se alguém não pode ser candidato, tampouco deveria ocupar um cargo público. A inclusão da “Ficha Limpa” foi vista como um ponto crucial para obter o apoio necessário no Congresso para a negociação da reforma. Outras Mudanças e o Contexto Político Além das principais mudanças, o projeto de Milei também prevê o endurecimento dos requisitos para a formação e








