Colombianos em Desespero: A Noite nas Ruas Pós-Terremoto em Pereira, Medo de Saques e Falta de Respostas Oficiais
A cidade de Pereira, uma das mais afetadas pelo recente terremoto na Colômbia, ainda sente os tremores, mas o medo agora se volta para a segurança de seus lares. Três dias após o desastre natural, muitos moradores, mesmo com suas casas em ruínas e inabitáveis, optam por dormir nas ruas, transformando as calçadas em acampamentos improvisados.
O principal motivo para essa vigília forçada é o temor de saques. A incerteza sobre o futuro e a falta de amparo imediato forçam a população a uma luta diária pela sobrevivência e pela proteção do pouco que restou. A cena em alguns bairros é desoladora, com o cheiro de alimentos estragados vindo de estabelecimentos destruídos, como um açougue em Pereira, onde retroescavadeiras trabalhavam para remover barris de comida imprópria para consumo.
A espera por uma definição sobre a condição de suas moradias é angustiante. Moradores aguardam ansiosamente o posicionamento dos órgãos oficiais: suas casas podem ser recuperadas, precisam ser demolidas, ou qual o próximo passo? A sensação de incerteza paira sobre a cidade, afetando diretamente aqueles que perderam tudo no terremoto. Conforme informação divulgada pela Folha, engenheiros do município começaram a vistorias nas residências nesta quinta-feira (13), buscando identificar as habitações seguras e iniciar um censo para auxiliar os desabrigados.
A Luta Pela Dignidade em Meio aos Escombros
No bairro de Corocitos, a espera por socorro foi longa. Moradores relataram à Folha que, dois dias após o terremoto, ainda não haviam recebido a visita de bombeiros ou outras autoridades. Maria Angélica Herrera, 27, moradora de aluguel, expressou sua frustração. O proprietário de sua casa, que sofreu danos significativos, a considerou habitável, mas Maria Angélica descreveu a situação como impossível, com vazamentos de gás e água, tornando a residência completamente inabitável.
A situação de Maria Angélica foi rapidamente avaliada por engenheiros municipais, que, ao contrário do proprietário, indicaram que as paredes da casa não possuíam mais sustentação, evidenciando a precariedade da estrutura. A família Palacio Toro, por exemplo, que visitava parentes em Pereira, conseguiu se abrigar temporariamente na casa de familiares em uma cidade vizinha após o terremoto.
Casas Destruídas e a Realidade Cruel dos Desabrigados
Blanca Amanda Buitrón Osorio, que alugava cômodos em sua casa, viu sua residência ser completamente destruída. Uma parte do imóvel cedeu durante o tremor, atingindo a moradia de Novelia Duque, 69, que vivia no subsolo. Novelia escapou por pouco, sendo puxada para fora por Blanca enquanto o prédio desabava. Agora, todos os moradores do edifício dormem na calçada, com o receio de que novas réplicas possam derrubar o que resta da construção.
“Não temos para onde ir”, desabafou Blanca, emocionada. “Somos pessoas humildes, que viviam um dia por vez.” Viviana Bedoya, 37, proprietária de um edifício que também foi danificado, questionava a possibilidade de entrar para resgatar objetos de valor. Seu pai, Juan Bedoya, 75, que trabalhava em uma farmácia próxima, também se salvou por pouco, pois o estabelecimento abriu meia hora após o terremoto.
A Incerteza do Futuro e a Urgência da Ajuda
A Folha acompanhou a vistoria de um prédio onde uma representante do poder público alertou sobre o risco iminente de colapso total, proibindo a entrada de qualquer pessoa. A orientação para o pai de Viviana foi clara: pintar uma parede com spray indicando o perigo de queda. A tragédia em Pereira expõe a vulnerabilidade de muitas famílias que, além de perderem suas casas, enfrentam a insegurança e a falta de respostas em um momento de extrema necessidade.
A comunidade local e as autoridades agora enfrentam o desafio de garantir abrigo, segurança e assistência a centenas de pessoas. A reconstrução física e emocional da cidade de Pereira será um processo longo e árduo, exigindo solidariedade e apoio contínuo para superar os impactos devastadores deste terremoto.





