
Como o voto nos EUA se tornou perigoso sob Trump: Julgadora da Suprema Corte denuncia manobras eleitorais e “desdobramento kafkiano”
Suprema Corte dos EUA emite decisão polêmica sobre regras eleitorais de Trump, com voto dissidente de juíza renomada A figura da magistrada Ketanji Brown Jackson, uma das juízas da Suprema Corte americana, volta a ser centro das atenções. Após destacar sua coragem em sua estreia como colunista neste espaço, a jurista se manifesta novamente com um voto que questiona um decreto presidencial de Donald Trump. A decisão de Jackson sobre as novas regras eleitorais impostas pelo ex-presidente é vista como um exercício de lucidez em meio a turbulências políticas. A Suprema Corte, em uma decisão recente, derrubou uma liminar que impedia a aplicação de partes cruciais do decreto de Trump. Com isso, o ex-presidente tem a possibilidade de seguir adiante com suas regras eleitorais. A manifestação da corte ocorreu em resposta a um recurso de emergência apresentado pelo governo Trump, onde seis juízes formaram a maioria, enquanto três juízas apresentaram votos dissidentes. Destacam-se os votos de Sonia Sotomayor, acompanhada por Elena Kagan, em um despacho de três páginas, e o de Ketanji Brown Jackson, em um parecer separado de 23 páginas. A juíza Jackson, em sua análise, não hesitou em criticar as manobras de Trump com o objetivo de desvirtuar o processo eleitoral, direcionando suas observações diretamente a seus pares na mais alta corte do país. Conforme a análise da juíza, a decisão majoritária da corte viola precedentes e pode injetar caos nas eleições de meio de mandato, configurando um “desdobramento kafkiano” em favor do ex-presidente. A informação foi divulgada em reportagem sobre o tema. Jackson aponta inconstitucionalidade em decreto de Trump Ketanji Brown Jackson estabeleceu, de início, que a condução das eleições é uma delegação constitucional aos estados americanos, e não algo que um presidente possa controlar, incluindo seus resultados. A juíza, em seu voto, demoliu três pontos centrais do decreto de Trump. O primeiro ponto questionado foi a determinação para que o secretário de Segurança Interna elaborasse “listas da cidadania”, definindo quem estaria apto a votar no país. O segundo ponto criticado refere-se à autorização para investigar e processar agentes estaduais que emitam cédulas eleitorais para pessoas não aptas a votar. Por fim, Jackson se insurgiu contra a exigência de que toda cédula enviada pelo correio fosse postada em envelopes especiais, com marcas e códigos de barras federais. A juíza expressou forte oposição a uma corte que, segundo ela, não analisa o mérito diante de uma inconstitucionalidade clara, permitindo que o “descalabro avance”, segundo a reportagem. Justificativa da maioria e a “balela” de “ainda é cedo” A justificativa apresentada pela maioria da corte para não intervir foi a de que os estados americanos “ainda é cedo” para reclamar na Justiça, pois os efeitos das medidas ainda não teriam sido plenamente sentidos. No entanto, Jackson se mostrou inarredável em seu posicionamento, insistindo que o presidente não possui qualquer autoridade para alterar as regras do jogo eleitoral. A reportagem aponta que a justificativa da corte é considerada “balela” por quem julga desviando de ambiguidades. Embora ainda haja incertezas sobre a








