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Shein e Anta: Gigantes chinesas de consumo invadem o Ocidente e desafiam marcas globais de moda e lifestyle

China expande influência no consumo global com aquisições estratégicas de marcas ocidentais

O cenário do consumo global está passando por uma transformação silenciosa, com empresas chinesas expandindo agressivamente sua influência para além do setor de tecnologia. Movimentos recentes, como a compra da Everlane pela Shein e o avanço da Anta Sports sobre a alemã Puma, sinalizam uma nova era de disputa por participação no mercado consumidor internacional. A China, antes focada em tecnologia de ponta, agora mira moda, lifestyle e cultura digital.

O crescimento mais moderado no mercado interno, o excesso de oferta em diversos setores e a intensa concorrência levaram grupos chineses a buscar novos horizontes. Segundo a consultoria Rhodium Group, as fusões e aquisições chinesas no exterior alcançaram US$ 9,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o maior valor em cinco anos, com cerca de US$ 2,7 bilhões direcionados a setores de consumo e marcas.

Enquanto isso, Pequim mantém o foco em fortalecer sua capacidade industrial e tecnológica interna, impulsionando exportações. Baterias, automóveis e equipamentos eólicos chineses apresentaram aumentos significativos nas exportações para a Europa em 2025. Essa estratégia dual permite que empresas chinesas consolidem sua base produtiva enquanto expandem seu alcance global no mercado consumidor. Conforme divulgado pela consultoria Rhodium Group, a China está redefinindo suas estratégias de investimento internacional, focando em mercados mais receptivos e em setores com potencial de crescimento.

Shein e Everlane: O confronto entre fast fashion e consumo consciente

A aquisição da Everlane pela Shein exemplifica essa nova fase. A Shein, gigante do fast fashion, construiu seu império com base em escala, preços baixos e domínio das redes sociais. A Everlane, por outro lado, representava valores como consumo consciente e transparência, voltada a um público com maior poder aquisitivo.

Apesar da diferença de modelos, a Everlane permanecerá independente, com a Shein prometendo investimentos e mantendo as lojas físicas ativas, mesmo que o foco principal do negócio seja online. A avaliação da marca americana foi de US$ 100 milhões. A Reuters informou que a Everlane seguirá comprometida com a sustentabilidade, buscando preservar sua imagem.

Anta Sports adquire participação na Puma, fortalecendo seu portfólio global

Outra operação de grande impacto foi a entrada da Anta Sports na Puma, em um negócio de US$ 1,8 bilhão. Com essa aquisição, a Anta Sports se tornou a maior acionista da marca alemã, que se soma a um portfólio que já inclui Fila, Wilson e Salomon. Essa movimentação reforça a ambição da Anta Sports em se consolidar como um player global no mercado de artigos esportivos e moda.

Blue Bottle Coffee: A estratégia chinesa por trás da aquisição de marcas premium

A compra da Blue Bottle Coffee pela controladora da Luckin Coffee, rede chinesa que desafiou a Starbucks, revela uma estratégia diferente. Analistas apontam que o interesse não reside no tamanho da rede da Blue Bottle, com cerca de 140 lojas globalmente, mas em sua infraestrutura consolidada. Contratos com fornecedores, presença em cidades estratégicas e uma marca reconhecida no segmento premium são ativos valiosos.

A ideia é preservar a imagem sofisticada da Blue Bottle, permitindo que a controladora chinesa acesse um segmento de mercado onde empresas chinesas ainda enfrentam barreiras para competir diretamente. As duas empresas continuarão operando separadamente, mantendo a identidade e o posicionamento de cada marca no mercado global.

Investimento chinês na Europa acelera apesar das barreiras regulatórias

O investimento chinês na Europa apresentou um crescimento expressivo, atingindo €16,8 bilhões em 2025, um aumento de 67% em relação ao ano anterior, segundo dados da Rhodium. A Europa responde por quase 25% de todo o investimento externo chinês e cerca de 60% das operações chinesas em economias avançadas. Apesar do aumento das barreiras regulatórias, a China tem adaptado sua estratégia, concentrando investimentos em mercados considerados mais receptivos, como Hungria, Espanha, França e Reino Unido.

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