Eleição no Brasil pode consolidar aliança conservadora na América Latina, alinhada à estratégia de segurança dos EUA contra o narcotráfico.
Nos últimos 18 meses, uma onda conservadora varreu a América Latina, com candidatos de direita vencendo sete eleições presidenciais. Agora, o Brasil, a maior nação da região, pode estar a poucas semanas de seguir o mesmo caminho, com Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, como favorito para a presidência.
A eleição brasileira é vista como crucial para os planos de Donald Trump de expandir a influência dos Estados Unidos na América Latina, fortalecendo um bloco de aliados conservadores. O Brasil, com sua dimensão e economia, seria a peça central que faltava nesse quebra-cabeça.
A estratégia de Trump para a região tem sido marcada por uma abordagem agressiva, especialmente no combate ao narcotráfico, comparado a uma “guerra ao terror” no Oriente Médio. Essa política, que envolve sanções, ataques aéreos e a classificação de grupos criminosos como terroristas, encontra eco em líderes como Flávio Bolsonaro. Conforme informações divulgadas, Flávio Bolsonaro já expressou apoio à coalizão anticartéis liderada pelos EUA e cogitou a inclusão do Brasil em operações conjuntas.
A Nova Doutrina Monroe e a Guerra às Drogas
A política externa de Donald Trump na América Latina tem sido descrita como uma versão intensificada da Doutrina Monroe, que reivindica a primazia dos EUA na região. Um dos pilares dessa estratégia é a chamada “nova guerra às drogas”, priorizando o combate a cartéis poderosos. O Departamento de Estado americano classificou 21 grupos criminosos latino-americanos como organizações terroristas.
O Pentágono realizou 71 ataques contra embarcações suspeitas de narcotráfico, resultando na morte de quase 240 pessoas, em ações que muitos especialistas em direito consideram ilegais. A cooperação militar se estende a operações conjuntas, como a realizada no Equador. Dezoito países latino-americanos aderiram a uma coalizão liderada pelos EUA contra os cartéis, com Colômbia, Guatemala, Honduras e Equador já comprometidos com operações militares conjuntas.
Flávio Bolsonaro e o Alinhamento com Trump
Flávio Bolsonaro é um entusiasta de Donald Trump, e seu pai, Jair Bolsonaro, foi um importante aliado durante o primeiro governo Trump. Flávio já indicou que incluiria o Brasil na coalizão “Escudo das Américas”, focada no combate a cartéis, e cooperaria com os EUA no combate a facções criminosas brasileiras. Ele também pressionou, com sucesso, para que o PCC e o Comando Vermelho fossem classificados como grupos terroristas.
Embora tenha negado em entrevistas recentes a possibilidade de intervenção militar direta, Flávio Bolsonaro já sugeriu em redes sociais que veria com bons olhos uma ação americana no Brasil, limitando a cooperação à área de inteligência. Essa postura alinha-se à intenção de Trump de expandir o controle sobre a região.
Coordenação e Desafios da Coalizão Anticartéis
A coordenação entre EUA e países latino-americanos na luta contra o narcotráfico pode trazer benefícios na área de inteligência, especialmente no rastreamento de redes financeiras criminosas. O Pentágono lançou uma nova força-tarefa para o Hemisfério Ocidental, atuando como centro de inteligência e operações conjuntas.
A designação de cartéis como organizações terroristas permite aos governos atacar suas finanças por meio de sanções. Trump afirmou a líderes latino-americanos que eles não estão mais “por conta própria”. No entanto, existem dúvidas sobre a eficácia dessa coalizão, com especialistas apontando que ataques a embarcações pouco reduziram o fluxo de cocaína.
Soberania e a Influência Americana
Há questionamentos sobre o impacto dessa cooperação na soberania dos países latino-americanos, dado o desequilíbrio de poder com os Estados Unidos. O ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a ser alvo de tarifas americanas em retaliação a processos judiciais, demonstrando a pressão que Washington pode exercer. Lula tem alertado sobre a necessidade de a América Latina preservar sua autonomia.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, argumenta que a maior ameaça à soberania vem dos cartéis. Ele promete adotar táticas inspiradas em Nayib Bukele, de El Salvador, cujas medidas autoritárias reduziram a criminalidade, mas também geraram denúncias de violações de direitos humanos.





