Projeto “Meninos do Terrão”, viabilizado por Oscar Schmidt, sagra-se campeão nacional de basquete escolar em dia de comoção
A noite desta sexta-feira (17) foi marcada por uma montanha-russa de emoções para a equipe do Porãbask, de Ponta Porã (MS). A poucos minutos de entrar em quadra para a final do basquete masculino sub-18 dos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs), em Brasília, os jovens atletas e seu treinador receberam a notícia do falecimento de Oscar Schmidt. O “Mão Santa”, ídolo máximo do esporte brasileiro, representa para eles muito mais do que uma figura midiática.
Oscar Schmidt foi o grande incentivador do projeto social que, há 19 anos, tirou os atletas de uma estrutura improvisada e os levou a um ginásio próprio, culminando agora com um título nacional inédito. A notícia da morte do ex-jogador misturou-se à tensão da final contra a equipe de São Paulo e, posteriormente, à alegria da vitória por 74 a 63, que garantiu o lugar mais alto do pódio.
O treinador Hugo Costa, de 59 anos, visivelmente emocionado, relembrou a trajetória do projeto “Meninos do Terrão”, fundado em 2004. O nome “Terrão” remete à quadra improvisada no Jardim Irene, periferia de Ponta Porã, onde tudo começou. A força e a inspiração de Oscar Schmidt foram cruciais para transformar esse sonho em realidade, conforme informação divulgada pelo g1.
Do “Terrão” ao Ginásio Oscar Schmidt
A aproximação entre Oscar Schmidt e o projeto “Meninos do Terrão” se deu em 2007, quando o ex-jogador realizou palestras na cidade. Hugo Costa, fã de longa data do “Mão Santa”, viu nascer uma amizade e um apoio inestimável. Oscar passou a impulsionar a busca por recursos para que a quadra improvisada se tornasse um ginásio com estrutura adequada.
“Oscar pedia recursos para o projeto em todas as palestras que fazia. A gente comprou o terreno e ele ajudou a construir o ginásio”, relatou o treinador. “Inclusive, o ginásio leva o nome dele”. A conquista do título nacional no dia da morte do seu maior incentivador foi um momento de profunda emoção e, para Costa, uma justa homenagem.
Oscar Schmidt: Um Legado de Obstinação e Inclusão no Esporte
A perda de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes do basquete mundial, deixou um vazio, mas também um valioso legado de aprendizado para os jovens atletas. “Muita gente pensa que basquete não seria para pobre, nem para periferia. O Oscar ensinou para a gente que é possível fazer basquete em qualquer lugar”, afirmou Hugo Costa.
O projeto “Meninos do Terrão” vai além da formação esportiva, focando na **formação de cidadãos**. “São homens formados em educação física, em medicina, várias profissões. Eu tenho contato com todos até hoje”, disse o treinador. A presença do clube na comunidade transformou a região, tornando-a uma referência esportiva e mostrando o poder do esporte na educação de crianças e jovens.
A Emoção do Pódio e o Futuro no Basquete
Subir ao pódio com a medalha de ouro no peito trouxe à tona as lembranças dos treinos árduos, do tempo longe da família e do papel de educador que o treinador exerce. “Eu disse aos meninos que eles nunca mais vão esquecer esse momento. Vão passar aos filhos deles”, declarou Costa.
Rafael Cardozo, de 17 anos, estudante do terceiro ano do ensino médio e com planos de cursar gestão hospitalar, dedicou a vitória à mãe, que o criou sozinho. “Tenho que agradecê-la por tudo”, disse, abraçando também o professor. Ele ressaltou a importância de Oscar para o projeto e para o Brasil, “Sabemos como ele era importante para o Brasil e para o nosso projeto”.
Samuel Menezes, de 17 anos, cestinha da partida com 30 pontos, também compartilha o desejo de seguir carreira no esporte, cursando educação física. O pivô, que costuma assistir a jogos antigos de Oscar pela internet, expressou sua gratidão: “Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”. A conquista inédita no Jebs 2023, em um dia tão significativo, celebrou o **legado de Oscar Schmidt** e a força do esporte transformador.




