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Gaza: Agricultores Palestinos Lutam Pela Produção de Alimentos em Meio a Cessar-Fogo e Bloqueios

Agricultores de Gaza buscam ampliar sua produção nos seis meses de cessar-fogo

Seis meses se passaram desde que o governo de Israel aprovou o acordo de cessar-fogo com o grupo Hamas na Faixa de Gaza. A partir de 10 de outubro, agências da ONU e órgãos locais iniciaram operações para recuperar a capacidade produtiva dos campos agrícolas do território, em busca de atenuar a fome generalizada.

Os dois anos de ataques constantes das forças israelenses deixaram o território palestino sob uma inédita destruição, com milhões de deslocados e todos sob algum nível de insegurança alimentar. Mais de 95% da população atingiu níveis críticos, emergenciais e catastróficos de fome, segundo monitores internacionais.

O território passou meses sob bloqueio total para entrada de alimentos e insumos humanitários. Em paralelo, incursões aéreas israelenses destruíram infraestruturas e inviabilizaram o uso das terras cultiváveis. Conforme informação divulgada pela FAO (Agência da ONU para Alimentação e Agricultura), meses antes da trégua, em junho, ao menos 83% das terras cultiváveis e fontes de água para uso agrícola estavam danificadas, com menos de 5% das áreas para cultivo viáveis.

Iniciativas de Recuperação Agrícola Sob a Trégua

Dias após o cessar-fogo, a FAO analisou a região novamente. Com imagens de satélite, o órgão identificou que, com os limites impostos pela trégua, 36,8% das terras cultiváveis estariam acessíveis aos palestinos. No entanto, apenas 4% não haviam sido danificadas.

A partir desta mínima viabilidade, a agência promoveu operações de assistência financeira para agricultores nas regiões de Khan Yunis e Deir al-Balah. Nos seis meses seguintes, 200 produtores contemplados cultivaram 533 toneladas de vegetais frescos, segundo o escritório.

“Atualmente, vivemos em uma tenda e, por meio dessa assistência, conseguimos revitalizar a terra”, relata Wafaa Abedeen, agricultora de Khan Yunis, à FAO. “Tínhamos uma casa, mas ela foi destruída durante a guerra. Perdemos tudo o que tínhamos e fomos deslocados para Al-Mawasi”, completou.

Desafios e Ampliação da Ajuda Humanitária

Enquanto isso, o Ocha (Escritório da ONU para Assuntos Humanitários) mantém a produção e distribuição de refeições em toda Gaza. O órgão reforça, contudo, que é primordial recuperar a capacidade agrícola dos palestinos.

“A recuperação da produção depende da entrada plena e irrestrita de insumos agrícolas por meio de canais comerciais e humanitários”, afirma a agência, que denuncia contínuos bloqueios de entrada por parte de Israel.

A FAO anunciou, há duas semanas, a ampliação da assistência, com financiamento do Fundo Humanitário para o Território Palestino Ocupado, do Ocha, para mais de mil agricultores. A agência estima, “de forma conservadora, que eles poderão produzir vegetais suficientes para cerca de 5.000 toneladas métricas e alimentar quase 95 mil pessoas durante um ano”.

O órgão ainda reforça que, “caso seja permitida a entrada plena e irrestrita de insumos e equipamentos agrícolas”, o mesmo número de pessoas pode aumentar a produção para cerca de 12,8 mil toneladas e alimentar aproximadamente 8% da população do território no mesmo período.

A Agricultura como Pilar de Subsistência em Gaza

“A agricultura é nossa fonte de sustento e, por meio desse apoio, conseguimos suprir as necessidades da minha família e consegui educar meus filhos e minha filha”, diz Wafaa Abedeen. “Após o deslocamento, a agricultura é a única coisa que nos restou e nosso meio de subsistência.”, acrescentou.

Mesmo em meio à trégua, as forças de Israel seguem atacando periodicamente o território palestino. Ao menos 715 palestinos em Gaza morreram em bombardeios ou por tiros nos últimos seis meses. Desde o início da guerra, as mortes acumuladas até o começo de abril ultrapassam 72 mil, segundo o Ocha, com base em informações do Ministério da Saúde local.

As Forças Armadas israelenses afirmam que realizam operações pontuais desde o cessar-fogo mediante violações em série da trégua por soldados do Hamas, que segue operando em pouco menos da metade do território. A outra metade, um perímetro de norte a sul de Gaza, é ocupada militarmente por Israel.

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