Estados Unidos avaliam expandir arsenal nuclear em território europeu, em busca de tranquilizar aliados.
A possibilidade de os Estados Unidos expandirem seu arsenal nuclear em território europeu está sendo discutida em círculos sigilosos da Otan. A medida visa reforçar a confiança dos aliados europeus, diante de incertezas quanto ao apoio militar convencional americano e preocupações com a política externa dos EUA.
Fontes próximas às negociações indicam uma abertura de Washington para a implantação de armas nucleares em mais países do que os seis que atualmente abrigam bombardeiros com capacidade nuclear. Essas conversas, mantidas em alto sigilo, ocorrem em um cenário de apreensão na Europa, especialmente devido a potenciais retiradas de tropas e sistemas de armas americanos do continente.
A expansão do programa de compartilhamento nuclear, conhecido como “Dual Capable Aircraft” (DCA), poderia permitir que mais nações europeias sediassem aeronaves capazes de portar armamentos nucleares. Essa iniciativa é vista como um sinal do compromisso dos EUA com a segurança europeia, mesmo enquanto os aliados são incentivados a assumir maior responsabilidade pela defesa convencional. Conforme informações divulgadas pelo Financial Times, as discussões estão em andamento nos canais da Otan, com países do flanco oriental da aliança demonstrando particular interesse.
Polônia na Vanguarda do Interesse por Armas Nucleares
Países localizados no flanco oriental da Otan, como a Polônia e alguns Estados bálticos, teriam manifestado interesse em sediar bases de DCA. Autoridades polonesas, em particular, já expressaram publicamente o desejo de abrigar armas nucleares. O ex-presidente Andrzej Duda, por exemplo, defendeu a expansão da iniciativa DCA para o território polonês.
Varsóvia também aderiu este ano a uma nova iniciativa francesa que explora a possibilidade de transferir temporariamente partes de seu arsenal nuclear para países aliados europeus. Essa movimentação reflete um crescente senso de urgência e a busca por garantias de segurança robustas em face de um cenário geopolítico instável.
O Contexto da Guerra na Ucrânia e a Dissuasão Nuclear
A invasão da Ucrânia pela Rússia e as frequentes menções do presidente Vladimir Putin às capacidades nucleares russas têm catalisado o interesse de alguns aliados da Otan em abrigar DCA. A percepção de uma ameaça crescente intensifica a busca por mecanismos de dissuasão e defesa mais eficazes.
Embora um acordo para expandir o recebimento de armas nucleares americanas não seja iminente, as discussões refletem a importância estratégica do programa de compartilhamento nuclear da Otan. Este programa, estabelecido durante a Guerra Fria, permite que aliados não nucleares participem da política e do planejamento nuclear da aliança, garantindo sua segurança sem desenvolver suas próprias armas nucleares.
Como Funciona o Compartilhamento Nuclear da Otan
Atualmente, o programa de compartilhamento nuclear da Otan envolve a Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda, Turquia e Reino Unido, países aprovados para abrigar as DCA americanas e bombas nucleares em “posições avançadas”. Essas armas permanecem sob custódia dos EUA, com Washington mantendo a autoridade exclusiva para seu uso.
As armas nucleares americanas implantadas na Europa são armazenadas e protegidas por tropas dos EUA. As forças aéreas dos países aliados, equipadas com jatos como F-35, F-15 e Tornado, são treinadas para participar de exercícios e missões, demonstrando a postura de força da aliança e estando preparadas para o eventual lançamento das bombas, mediante autorização americana.
Preocupações com a Retirada de Tropas e Sistemas de Armas
Medidas recentes do governo Trump, como o cancelamento de implantações planejadas de sistemas de armas essenciais na Europa e o anúncio de retiradas de tropas, têm gerado apreensão entre os aliados da Otan. Esses aliados temem que tais ações criem lacunas nas defesas do continente e comprometam a capacidade de dissuadir ou repelir um ataque.
Apesar do compromisso dos aliados europeus em aumentar significativamente seus gastos com defesa e investimentos em capacidades militares convencionais, o guarda-chuva nuclear americano é considerado insubstituível. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, enfatizou a necessidade de que a dissuasão e a defesa geral na Europa permaneçam robustas, mesmo com o foco americano em outros teatros de operação.
Rutte afirmou recentemente que “Se alguém for tolo o suficiente para nos atacar, a resposta será devastadora”. Essa declaração reforça a importância da dissuasão nuclear como pilar da segurança da aliança e a determinação em proteger seus membros.





