Câmara dos EUA vota para limitar poderes de guerra de Trump em relação ao Irã, evidenciando racha no Partido Republicano.
Após semanas de impasse, a Câmara dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que visa limitar os poderes de guerra do presidente Donald Trump, especificamente em relação ao Irã. A medida, que exige a retirada de forças americanas ou a aprovação do Congresso para continuar a operação militar, foi aprovada nesta quarta-feira (3).
A resolução, que já esteve perto de ser aprovada no mês passado, foi retirada da pauta para evitar uma derrota para o partido e para o presidente. A aprovação atual, embora simbólica, representa uma repreensão explícita a Trump e sua condução da política externa, especialmente após sua resistência a esforços anteriores do Congresso para limitar sua autoridade.
O texto, que segue agora para o Senado, só se tornará lei com o aval presidencial. Para derrubar um possível veto de Trump, o Congresso precisaria de uma maioria de dois terços nas duas Casas, um cenário considerado improvável dada a maioria republicana. As informações são do conteúdo divulgado. A votação ocorre em meio a crescentes divergências entre Trump e membros de seu próprio partido, à medida que as eleições de meio de mandato se aproximam e a guerra no Irã impacta negativamente a popularidade do presidente.
Resolução simbólica, mas com impacto político
A aprovação da resolução na Câmara dos Estados Unidos é vista mais como um gesto político do que uma mudança prática imediata. Mesmo que o Senado aprove o projeto, Donald Trump tem o poder de vetá-lo. Para que o veto seja derrubado, seria necessária uma maioria qualificada de dois terços em ambas as casas do Congresso, algo difícil de alcançar, especialmente porque o Partido Republicano detém a maioria em ambas as Casas.
Apesar disso, a votação representa uma crítica direta à estratégia de Trump em relação ao Irã. Os republicanos haviam adiado a votação anteriormente, reconhecendo a falta de apoio suficiente para derrotar a medida. Desde então, não houve uma articulação clara entre os partidos para angariar mais votos, mesmo com o conflito se prolongando.
Divisões republicanas e a guerra no Irã
A votação desta quarta-feira expõe as divisões internas no Partido Republicano em relação a diversas questões, incluindo a condução da guerra no Irã. Essa divergência de interesses pode impactar as eleições legislativas de meio de mandato em outubro, com a guerra sendo um dos fatores que afetam a popularidade de Trump.
Recentemente, senadores republicanos também pressionaram Trump a abandonar pedidos de financiamento e planos controversos do Departamento de Justiça. A oposição à sua política externa, inclusive a guerra no Irã, tem crescido entre alguns membros do partido.
O futuro da resolução e a disputa de poderes
A resolução foi forçada a ir a votação pelos democratas, que invocaram a Resolução de Poderes de Guerra, um mecanismo que exige a consideração de tais medidas em um prazo limitado. Três republicanos da Câmara se juntaram aos democratas, demonstrando uma oposição crescente à campanha militar, que já está em seu quarto mês.
A questão de até que ponto o Congresso pode forçar um presidente a retirar tropas é uma área legalmente contestada. Para Trump e seus assessores, tal medida seria inconstitucional. No entanto, uma votação anterior no Senado, onde alguns republicanos dissidentes se opuseram à guerra, sinaliza uma disposição crescente de alguns membros do partido em pressionar o presidente a encerrar o conflito, que é impopular entre a maioria dos americanos.





