FBC lança álbum “Tambores, cafezais, fuzis, guaranás e outras brasilidades”, uma obra que pulsa com som e fúria, misturando rap e rock hardcore em um retrato cru do Brasil.
O rapper mineiro FBC abre e fecha seu sétimo álbum, “Tambores, cafezais, fuzis, guaranás e outras brasilidades”, com obras essenciais de João Bosco e Aldir Blanc. Essa escolha não é aleatória, pois a dupla, nos anos 1970, já expunha em suas canções um Brasil urbano marcado pela pobreza, violência e injustiça social, onde a fome ecoava.
Esse Brasil hardcore, retratado por Fabrício Soares Teixeira, ganha vida nas 13 faixas do disco, lançado em 1º de maio. A capa, uma explosão visual criada por Kawany Tamoyos, já antecipa a intensidade do trabalho. O álbum propõe um mergulho na identidade brasileira, abordando desde o nascimento até a morte, em um país que, apesar das mazelas, também celebra a resiliência e a ancestralidade de seu povo.
Conforme relatado pelo jornalista especializado em música, o álbum “Tambores, cafezais, fuzis, guaranás e outras brasilidades” é uma jornada conceitual que acompanha um cidadão brasileiro em meio a um cenário de fome, criminalidade e corrupção. No entanto, a obra também ressalta a dignidade e a força de um povo honesto que valoriza suas raízes. Essa narrativa sem filtros de FBC expõe um Brasil em convulsão social, onde a presença de fuzis supera a de guaranás, dispensando ufanismos tropicais e focando na realidade pulsante das cidades.
A fusão sonora que desafia rótulos
Na abertura, “Gênesis (Parto)”, uma releitura de João Bosco e Aldir Blanc, FBC apropria-se da música com um canto falado sobre uma base percussiva que remete a pontos de umbanda. Já no encerramento, “Tiro de misericórdia”, também de Bosco e Blanc, é apresentada em uma fusão de rock hardcore e samba seco, demonstrando a versatilidade do artista.
O álbum, que tem a produção musical de Baka (Rafael Corrêa Braga), explora o som e a fúria do punk rock em faixas como “O ronco da cuíca”, sem perder a essência do rap. A influência do rock hardcore é evidente em “Não vote em ninguém”, que conta com a participação de Baka e Flávio Soldati na composição.
Um retrato sem filtros do país
“Tambores, cafezais, fuzis, guaranás e outras brasilidades” se destaca por sua abordagem direta e sem rodeios. FBC não hesita em expor as contradições do Brasil, apresentando um panorama onde a violência urbana e a desigualdade social são temas centrais. A música “Homo sacer”, com participação de Djonga e DJ Cost, reforça a identidade do álbum como um trabalho de hip hop com fortes raízes na crítica social.
A colaboração com MC Taya em “Canudos” mistura funk, rap e rock, mostrando a capacidade de FBC de transitar por diferentes gêneros musicais. Essa experimentação sonora, aliada a letras contundentes, faz de “Tambores, cafezais, fuzis, guaranás e outras brasilidades” um marco na discografia do artista, que a cada trabalho reinventa sua sonoridade.
FBC: a evolução de um artista engajado
Desde seu álbum “Baile” (2021), FBC vem explorando diversas facetas musicais, passando pelo pop funky, soul e dance music em “O amor, o perdão e a tecnologia irão nos levar para outro planeta” (2023), e retornando às ruas com o peso do boombap em “Assaltos e batidas” (2025). Agora, com “Tambores, cafezais, fuzis, guaranás e outras brasilidades”, ele se volta para a energia crua do rock.
O álbum, antecedido pelo single “Bandido bom”, consolida FBC como uma voz relevante na música brasileira. Ele une o rap, que hoje ocupa o posto de voz da rebeldia antes atribuído ao rock, com a força sonora deste último. O resultado é um disco pujante, que, mesmo sem reinventar a roda, entrega uma obra cheia de som e fúria, espelhando a complexidade da vida urbana no Brasil.




