
Eleição no Brasil: Pesquisadora alerta que resultado definirá se América Latina seguirá Trump ou terá agenda própria
Eleição no Brasil pode definir o futuro da América Latina: alinhamento a Trump ou autonomia regional O resultado das eleições presidenciais no Brasil neste domingo (4) carrega um peso inédito para a América Latina, segundo a cientista política Guadalupe González. A especialista avalia que uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode representar um freio para os planos dos Estados Unidos na região, enquanto a eleição de Jair Bolsonaro (PL) poderia significar um alinhamento quase completo a Washington. O que está em jogo, conforme a pesquisadora do Colégio do México, é a capacidade da América Latina de construir sua própria agenda nas próximas décadas, em contraste com a possibilidade de acatar um projeto dos EUA de restaurar sua esfera de influência. Essa dinâmica ganhou destaque na política externa de Washington desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A importância do pleito brasileiro para os próprios Estados Unidos foi reforçada pelo próprio Donald Trump em declarações recentes. A análise de González, divulgada pela newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora Sylvia Colombo, aponta para um cenário de redefinição de poder e influência no continente. A influência de Trump e a ascensão da direita na América Latina A eleição de Jair Bolsonaro, segundo González, viria em linha com outras vitórias da direita em países latino-americanos, como Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Abelardo de la Espriella na Colômbia e Keiko Fujimori no Peru. Esse cenário poderia levar a um isolamento do México, país de origem da pesquisadora. Apesar da tendência observada, Guadalupe ressalta que a maioria da população latino-americana, cerca de 64%, é governada por administrações de centro e centro-esquerda. Apenas 35% a 36% são liderados por governos de direita ou centro-direita. Essa disparidade, segundo ela, evidencia a relevância da eleição no Brasil, um país com mais de 214 milhões de habitantes. Brasil como contrapeso estratégico e o declínio da ordem liberal Além do peso demográfico, o Brasil se destaca por sua influência em fóruns multilaterais fora da região, algo que o México, também governado pela esquerda, não possui com a mesma magnitude. González define o contrapeso do Brasil como aquele com a maior margem de manobra, citando sua participação em blocos como o Brics. O plano dos EUA de “restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental” ficou evidente na Estratégia de Segurança Nacional divulgada em novembro do ano passado. Para Guadalupe, testemunhamos um momento monumental: o fim de uma ordem liberal e multilateral na América Latina. Ela descreve os EUA como uma potência hegemônica em declínio, que está transitando de um modelo de persuasão e construção de regras para um de mudança de status quo pela força. Essa mudança, segundo ela, resulta em um mundo mais incerto, onde a dominação se baseia em cálculos imediatos. Insegurança como ferramenta política e a “miopia” dos governos latino-americanos Um exemplo claro dessa nova postura é a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, vista como um uso unilateral da força com baixo custo político e militar








